sexta-feira, 18 de abril de 2008

Revolução Cinética


Está actualmente no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, a exposição Revolução Cinética, até 15 de Junho. Pela minha parte, recomendo vivamente. Além do mais, mediante a apresentação do cartão de estudante, a visita é à borla.

A exposição começa por uma apresentação, na Sala Polivalente, de um documentário do aclamado Brian De Palma - The Responsive Eye, que data de 1965. Foi filmado em 16mm, a preto e branco e com som. Tem a duração de 26 minutos.

Trata da célebre exposição homónima de Op Art, realizada no MoMA, em Nova Iorque. São registos fílmicos mais ou menos casuais, com uma câmara manual e entrevistas aos comissários, artistas e visitantes da exposição. Representa uma subtil sátira do ambiente da arte contemporânea.

Depois deste visionamento, e já no primeiro piso, há uma breve explicação do conceito de revolução cinética, em jeito de introdução ao que se lhe segue. Há, latente nesse conceito, uma consciência do papel do movimento na redefinição da concepção do objecto artístico. Há, também, uma fusão da espacialidade com a temporalidade que promove outra visualidade, diferente dos padrões culturais e psicológicos estabelecidos.

Após algumas vitrines de fotografias e três obras ilustrativas do que havia sido introduzido, pode assistir-se a um breve filme, de Pontus Hultén & Robert Breer, intitulado Le Mouvement. Data de 1955, filmado em 35mm, a preto e branco e sem som. São, basicamente, 15 minutos de uma mostra do trabalho de artistas convidados para fazer parte da conhecida exposição da Galerie Denise René. Entre eles, nomes como Duchamp, Calder, Agam, Bury e Tinguely.

Do resto da exposição, saliento os trabalhos expostos que mais me chamaram a atenção, seja esteticamente ou conceptualmente:

Progressão Cromática, de Gregorio Vardanega

GV 9 (em alumínio), de Ángel Duarte

Estrutura Animada de Deslocação Contínua, de Hugo Demarco

Rotorelief, de Marcel Duchamp (1935)

Relieve Luminoso, de Eusebio Sempere (1960)

Óptica Lumino-dinâmica, de Martha Boto (1966)

Mobile de Luz Contínua, de Julio Le Parc (1968)

Aparelho Metafísico de Meditação, de António Pedro (1935)

Estruturas, de Yaacov Agam (1954)

Quadrado, de Jesús Soto (1996)

Escrita Azul Central, de Jesús Soto (1999)

Movimento Cósmico, de Yaacov Agam (2006)

Foi uma pena verificar que Microtemps nº19 de Nicolas Schoffer se encontrava temporariamente desligado.

No meio destas obras, podemos ainda assistir a uma obra rara. De seu título Anémic Cinéma, esta obra de Marcel Duchamp (que data de 1925), é um filme experimental, feito na colaboração de Man Ray e Marc Allégret, e trata, analisado nos dias de hoje, da deslocação na função das relações entre texto e imagem. Uma verdadeira raridade, filmada em 16mm, a preto e branco, sem som e com a duração de 7 minutos e meio.

No final da exposição, no lado do café do museu, podemos experienciar uma última obra, com proporções muito maiores, sobre a qual não vou falar, para não estragar a surpresa. Posso apenas adiantar que se torna numa experiência deliciosa. Eu, pelo menos, sorri com muita satisfação.

Recomendo vivamente, para todas as idades.

Sara Toscano

1 comentário:

Eduardo Queiroz disse...

A extensa exposição de Op Art no museu do Chiado, embora com muitos nomes conhecidos não foi das melhores que já vi. A que ocorreu em Madrid, no ano passado, teve maior dinâmica e os trabalhos cinéticos impunham maior («maior» talvez não seja a palavra mais indicada, mas sim «mais interessante») interacção com o público para se experimentar o sentido das obras. Mesmo assim, este foi dos poucos blogs em que pude ler sobre o assunto.

Eduardo Queiroz