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Caroline está deprimida e repugnada com tudo à sua volta. Olha com repulsa para as faces lamacentas das clientes; repele um almoço de fish and chips; quando chega a casa, fica repugnada com Michel (Ian Hendry), o amante casado da irmã. Quando têm relações sexuais, Caroline não consegue dormir, ficando acordada, enojada com os gemidos provenientes do quarto adjacente.
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Os homens, para Caroline, são uma ameaça permanente. Impossibilitada de revelar os seus sonhos a quem quer que seja, começa a confundir a realidade com esses sonhos a partir do momento em que Helène e Michel partem para Itália, deixando-a sozinha em casa. Começa então a alucinar e a ter pesadelos que nos mostram a sua solidão e repressão sexual.
Gradualmente, o mundo à volta de Caroline começa a mudar. Reflectida numa chaleira, a sua cara é monstruosamente defeituosa; um coelho esfolado numa travessa parece-se com um feto humano; as rachas e fendas nas paredes começam a abrir-se, saindo delas braços que a agarram, o que a leva a imaginar uma violação. O mundo exterior à sua mente reflecte os horrores que a assombram.
"Repulsion" é o primeiro filme em inglês de Polanski e é uma obra assustadora e perturbante, não só pelas evocações do pânico sexual – um ano antes Hitchcock também apresentou Marnie (1964) – mas também pelo uso do som, num ambiente expressionista a preto e branco, que leva à criação do apartamento onde decorre a acção como sendo a representação de uma consciência perturbada e atormentada. Este é um trabalho austero, assustador e intemporal, com poucos diálogos mas que impõem um medo inteligentemente desconcertante e onde se mostra a quebra psicológica que Deneuve apresenta numa excelente interpretação.
"Repulsion" é o primeiro filme em inglês de Polanski e é uma obra assustadora e perturbante, não só pelas evocações do pânico sexual – um ano antes Hitchcock também apresentou Marnie (1964) – mas também pelo uso do som, num ambiente expressionista a preto e branco, que leva à criação do apartamento onde decorre a acção como sendo a representação de uma consciência perturbada e atormentada. Este é um trabalho austero, assustador e intemporal, com poucos diálogos mas que impõem um medo inteligentemente desconcertante e onde se mostra a quebra psicológica que Deneuve apresenta numa excelente interpretação.
9/10
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