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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Saw



Uma vénia a Leigh Whannell, que me proporcionou, nos últimos dois dias, algumas horas de um muito bom entretenimento, que dá pelo nome de Saw.

Num panorama que se começa a tornar repetitivo (os clichés do terror e do thriller), esta saga está divinalmente bem engendrada, todas as peças do puzzle vão colando, dando a entender que nada nos é dado ao acaso (fazendo assim juz ao nome dado ao serial killer, Jigsaw).

A premissa é simples: o homem que, devastado pelas vicissitudes da vida, se perde dele mesmo, passando o seu tempo a observar os outros à sua volta, acabando por achar que os salva se os puser à prova em jogos verdadeiramente perigosos e complexos, que se baseiam no poder de escolha (live or die); aqueles que decidirem passar pelo teste, caso sejam bem sucedidos, passarão a dar mais valor à sua vida.

Como se costuma dizer, "não há amor como o primeiro". Aplica-se perfeitamente a Saw, que pela originalidade e genialidade do argumento, constituiu uma novidade estrondosa. Os outros não deixam de ser muito razoáveis, mas não lhe chegam aos calcanhares.

A trama prende-nos de uma forma que, mesmo em cenas de extrema violência (tanto visual como psicológica), não conseguimos desligar de nada, com medo de perder algum elemento fundamental para a compreensão de tudo.

Todos os beats e turning points são fortíssimos, todos justificáveis e o factor-surpresa tem efeitos devastadores, servindo de turning point para o filme que se lhe segue (Saw II).

Para quem gosta de puzzles mentais e puxar pela cabeça, passem dois dias como eu passei: um cobertor, um sofá confortável e os Saw.




Sara Toscano

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Doomsday

Este filme de Neil Marshall (realizador e guionista do mesmo) assenta no pressuposto “a humanidade tem a sua data de validade”. Para um filme que não é mais que tudo aquilo que já toda a gente viu, Doomsday não cansa, nem é uma perda de tempo: pelo contrário, dentro de toda aquela “impossibilidade” em termos de argumento ou género, consegue prender-nos à cadeira, levando-nos a revisitar universos que tão bem conhecemos de toda a nossa cultura visual, sem que nunca os tenhamos imaginado juntos, num mesmo espaço e tempo fílmicos. A ideia do vírus letal que infecta milhões de pessoas e mata centenas, já está muito vista; no entanto, “in the land of the infected, the immune man is king” é um conceito poderoso. E Rhona Mitra é perfeita para o papel.

Doomsday é muito bom ao levar as personagens (especialmente Eden Sinclair e Sol) ao seu limite, explorando muito bem as forças antagónicas que os impedem, incessantemente, de atingir os seus objectivos.
O arco da história (negativo – positivo – negativo) está muitíssimo bem conseguido, demonstrando uma grande evolução na personagem principal (Eden) que, enquanto no início do filme é levada para fora da zona de quarentena (e para longe da sua mãe), no final opta por permanecer lá, como numa tentativa de alterar o rumo que a história dela levou.

Pontuado com um humor deliciosamente negro, a apresentação da personagem de Eden, muito visual, funciona na perfeição, fornecendo todos os dados necessários à compreensão das motivações e consequentes atitudes que vai tendo, e das opções que toma, facilitando não necessariamente uma simpatia instantânea pela personagem, mas, definitivamente, uma grande empatia. A energia do argumento é inesgotável (ou assim parece), as referências a filmes como Os Salteadores da Arca Perdida tornam-no numa pequena delícia para os mais aficcionados do cinema; em termos técnicos não tem grandes falhas e o ritmo da montagem está em conformidade com a acção. A capacidade de surpreender o espectador é inesgotável, sendo considerado por muitos um “roçar no ridículo”. Talvez seja disso mesmo que o filme vive, de outra forma não se poria a questão “se não fosse daquela maneira, será que funcionava?”

De notar, no entanto, o fraco trabalho de personagens secundárias, que não chegavam a trazer nada de novo ao mundo ali idealizado (não digo todas, mas, por exemplo, afinal quem eram todos aqueles que acompanharam Eden à zona de quarentena? Por que foram lá? Porquê eles e não outros?); talvez também o clímax e a resolução deixem um pouco a desejar, no sentido em que toda a história é construída com vista àquela acção final que, podendo deixar as coisas em aberto, não deixa nunca dúvidas em como as coisas não poderiam terminar doutra maneira.

De um modo geral, e para quem falhou a estreia aquando do festival de terror (Motelx), Doomsday é uma obra que deve ser vista e apreciada, livre de preconceitos.






Sara Toscano

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Belle de Jour

Belle de Jour é uma obra francesa, do aclamado realizador Luis Buñuel, datada de 1967, com a bestial Catherine Deneuve no papel principal.

Com um título algo irónico (uma subtil referência ao termo 'belle-de-nuit', que significa prostituta em francês), este filme conta-nos a história de uma mulher que decide passar as suas tardes num bordel, como prostituta, enquanto o marido trabalha.

Todo o teor erótico reside apenas e somente na imaginação de Séverine Serizy (a personagem principal) que, embora não consiga ter contacto físico com o marido, tem fantasias masoquistas muito regulares que, de alguma forma, a intimidam. Decide, no entanto, dar aso a esses desejos contidos, e procura o bordel de Madame Anais (Geneviève Page), onde trabalha algumas tardes, apenas durante o horário de trabalho do seu marido Pierre Serizy (Jean Sorel).

O arco da personagem principal é extremamente interessante, passando de uma pessoa apagada e reprimida a alguém confiante e radiante. E ainda que o destino, no clímax do filme, não lhe sorria, Séverine mantém a compostura e nunca deixa de ser uma daydreamer.

Buñuel é um mestre no que toca a fazer filmes que nos falem sobre os segredos da natureza humana. Neste caso, é de realçar as passagens feitas entre os sorrisos de Deneuve e as divagações selvagens e sexuais da sua fértil imaginação.

Há, igualmente, uma profunda crítica à sociedade burguesa, implicita nas entrelinhas, em diversas cenas.

O filme foi premiado no Festival de Veneza, em 1967.




Sara Toscano

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Bambi

Bambi é uma das primeiras produções da Walt Disney, datada de 1942. Adaptado do romance de Felix Salten - Bambi, a Life In The Woods - conta-nos a história de um veado, dos seus pais e dos seus amigos, que vivem todos juntos na floresta.

Este filme tem algo de extraordinário: é uma obra extremamente musical. Durante todo o filme, belíssimas notas musicais complementam (com mestria) as imagens animadas, dando-lhes sentido, conferindo uma beleza extra a todo o sentido da história.

O enredo, sendo acima de tudo para crianças, fala da vida e da morte, do amor, da maldade humana, das estações do ano e da vida animal, de forma inocentemente doce e singela.

A dobragem da voz do personagem principal, o veado Bambi, foi feita por Bobby Stewart (o bébé), Donnie Dunagan (a criança), Hardie Albright (o adolescente) e John Sutherland (o adulto).

Embora tenha sido bem recebido pelo público, foi um filme criticado como inapropriado para crianças (o seu público-alvo) pela morte da mãe de Bambi e pela "violência" das cenas de caça, pelo ataque dos cães e pelo incêndio que deflagra na floresta.

Em 2006 surge Bambi 2, a sequela (que não chegou a ir para as salas de cinema) que desenvolve a elipse temporal que existe no primeiro filme, quando a mãe de Bambi morre e ele acompanha o seu pai para o coração da floresta.

Definitivamente, um clássico de animação!




Sara Toscano

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Young People Fucking

Esta brilhante comédia romântica de 2007, realizada, escrita e produzida por Martin Gero e Aaron Abrams, fala-nos da necessidade actual de separar amor e sexo. Nas palavras de Gero: "We're saying, 'Listen, people our age. This is really hard to do without being emotionally involved.'"

O filme intercala as histórias de cinco casais diferentes, durante os seus "encontros sexuais" e as suas tentativas e esforços (todos diferentes) que acabam por falhar miseravelmente.

Inteligentemente dividido em capítulos elucidativos (Prelude, Foreplay, Sex, Interlude, Orgasm e Afterglow), cada um dos casais passa por estes diferentes estágios, quebrando com os arquétipos a que estão associados, ao serem inicialmente rotulados como:
1- The Best Friends
2- The Couple
3- The Exes
4- The First Date
5- The Roommates

O título é enganador, na medida em que se pode estar à espera de ver mais um teen movie ou algo no género, sendo que o filme supera as expectativas com um humor ligeiro (mas certeiro) e um toque pessoal. As personagens são bem apresentadas (e de forma rápida), dando-nos o suficiente da sua backstory através dos diálogos, para uma fácil compreensão das suas reacções, não sendo, de todo, minimamente previsível.

Recomenda-se.




Sara Toscano

terça-feira, 19 de agosto de 2008

An Inconvenient Truth


Um documentário americano sobre o aquecimento global, exposto por um ex-Vice Presidente dos EUA (Al Gore). Um verdadeiro sucesso de bilheteiras.

"You look at that river gently flowing by. You notice the leaves rustling with the wind. You hear the birds; you hear the tree frogs. In the distance you hear a cow. You feel the grass. The mud gives a little bit on the river bank. It’s quiet; it’s peaceful. And all of a sudden, it’s a gear shift inside you. And it’s like taking a deep breath and going... 'Oh yeah, I forgot about this'."

Assim começa An Inconvenient Truth, realizado por Davis Guggenheim. Dado sob a forma de uma aula, o documentário foca-se nos esforços de Al Gore que, viajando pelo mundo inteiro, dá palestras para educar o público no sentido de prevenir a crise climática.

"I've been trying to tell this story for a long time and I feel as if I've failed to get the message across."

O discurso de Gore é permeado pelas suas histórias de infância, que foram mudando bruscamente a sua forma de ver a vida. E seguindo uma apresentação Keynote, vai expondo a opinião científica acerca das mudanças climáticas, das suas consequências naturais (com um grande relevo para as imagens chocantes da devastação pós-Katrina) e das consequências políticas e económicas.

Com algum humor à mistura, Gore apresenta um clip de Futurama (episódio "Crimes of the Hot") para explicar o que é o aquecimento global.

O filme recebeu um número elevado de prémios, sendo de reter que foi o primeiro documentário a receber o Óscar para melhor música original (Melissa Etheridge's I Need To Wake Up).

A frase "Are you ready to change the way you live?" precede, já nos créditos finais, a publicidade ao site www.climatecrisis.net.

"What we take for granted might not be here for our children"...






Sara Toscano

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

An American Tail - Fievel Goes West


"Have no fear. Filly the Kid is here." É assim que começa a brilhante sequela de An American Tail, An American Tail - Fievel Goes West.

Ao aperceberem-se que, na verdade, as condições de vida em Brooklyn não são as esperadas (muito longe disso, como diz o pai de Fievel, "They call America the land of opportunity. Opportunity for what? For children to play in the filthy streets? To never see the sun shine?"), a família Mousekewitz decide partir em direcção ao Oeste, desconhecendo o maléfico plano do gato R.Waul e do seu bando de felinos esfomeados.

É esta a premissa para um filme de animação do mais completo e delicioso que há. Embora tenha sido um fracasso de bilheteiras na altura da sua estreia, foi mais tarde reunindo um generoso número de fãs devotos (aos quais orgulhosamente me junto).
Este filme guarda o segredo do verdadeiro significado de ser uma criança, e é jogando com isso e com um humor extremamente inteligente que nos consegue arrancar sorrisos constantes.

A banda sonora de James Horner é absolutamente fulcral, transmitindo ritmo onde é necessário, seja ele acelerado em partes repletas de acção, ou mais lento e melancólico em partes ternurentas.

Produzido por Steven Spielberg, este filme foi a primeira produção do Amblimation Animation Studio, uma colaboração entre a Universal Studios e a Amblin Entertainment.

"Just remember, Fievel - one man's sunset is another man's dawn. I don't know what's out there beyond those hills. But if you ride yonder... head up, eyes steady, heart open... I think one day you'll find that you're the hero you've been looking for. Maybe a real hero is the last one to hear about it."

Um filme para toda a família, absolutamente obrigatório.




Sara Toscano