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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Belle de Jour

Belle de Jour é uma obra francesa, do aclamado realizador Luis Buñuel, datada de 1967, com a bestial Catherine Deneuve no papel principal.

Com um título algo irónico (uma subtil referência ao termo 'belle-de-nuit', que significa prostituta em francês), este filme conta-nos a história de uma mulher que decide passar as suas tardes num bordel, como prostituta, enquanto o marido trabalha.

Todo o teor erótico reside apenas e somente na imaginação de Séverine Serizy (a personagem principal) que, embora não consiga ter contacto físico com o marido, tem fantasias masoquistas muito regulares que, de alguma forma, a intimidam. Decide, no entanto, dar aso a esses desejos contidos, e procura o bordel de Madame Anais (Geneviève Page), onde trabalha algumas tardes, apenas durante o horário de trabalho do seu marido Pierre Serizy (Jean Sorel).

O arco da personagem principal é extremamente interessante, passando de uma pessoa apagada e reprimida a alguém confiante e radiante. E ainda que o destino, no clímax do filme, não lhe sorria, Séverine mantém a compostura e nunca deixa de ser uma daydreamer.

Buñuel é um mestre no que toca a fazer filmes que nos falem sobre os segredos da natureza humana. Neste caso, é de realçar as passagens feitas entre os sorrisos de Deneuve e as divagações selvagens e sexuais da sua fértil imaginação.

Há, igualmente, uma profunda crítica à sociedade burguesa, implicita nas entrelinhas, em diversas cenas.

O filme foi premiado no Festival de Veneza, em 1967.




Sara Toscano

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Sweeney Todd - várias versões de uma história


1400 - uma balada medieval francesa narra a história de um terrível barbeiro; esta balada era cantada pelas mães parisienses para amedrontar os filhos desobedientes.

1825 - a revista The Tell-Tale Magazine publica A Terrible Story of the Rue de la Harpe, a versão inglesa da história de um barbeiro assassino, recolhida dos Arquivos da polícia francesa.

1846 - a história de Sweeney Todd surge pela primeira vez em The String of Pearls, a Romance de Thomas Peckett Prest.

1847 - esta história de Peckett Prest é adaptada ao teatro por George Dibdin Pitt, em forma de melodrama; estreia no Britannia Theatre, em Londres, e o papel de Sweeney Todd é representado por Mark Howard.

1862 - uma nova versão teatral da história, da autoria de Frederick Hazelton, é apresentada no Bower Saloon em Lambeth e no Pavillion Theatre em Mile End; George Yates desempenha o papel de Sweeney Todd.

1926 - o melodrama de Dibdin Pitt é adaptado ao cinema em forma de comédia burlesca, num pequeno filme mudo do qual não resta nenhuma cópia.

1928 - com argumento baseado nos melodramas de Pitt e Hazelton, é rodado um segundo filme sobre Sweeney Todd, interpretado por Moore Marriott; nesta versão, Todd não é preso pelos seus crimes porque acorda no fim, descobrindo que tudo tinha sido um pesadelo.

1932 - a história de Sweeney Todd é adaptada a peça radiofónica, numa versão de J.P. Quaine.

1936 - surge o primeiro filme sonoro sobre Sweeney Todd, intitulado Sweeney Todd, The Demon Barber of Fleet Street, desempenhado por Tod Slaughter.

1945 - Tod Slaughter representa o papel do terrível barbeiro até à sua morte, em 1956; a popularidade da personagem dramática deve-se a este actor.

1959 - John Cranko faz a coreografia do bailado Sweeney Todd, com música de Malcolm Arnold.

1963 - a história de Sweeney Todd surge em romances como Devlin The Barber de B.L. Farjeon e em bandas desenhadas; a personagem aparece em Casas de Horrores e Castelos Fantasmas de feiras populares.

1965 - Com o título The Daydreamer in the Dark, a história de Todd integra a série de televisão Mystery and Imagination, centrando-se o conflito na consciência de Sweeney.

1968 - Christopher Bond, um jovem actor britânico, escreve uma nova versão de Sweeney Todd que estreia no Victoria Theatre.

1973 - a versão da peça de Christopher Bond é apresentada no Theatre Royal de Stratford East com encenação de Maxwell Shaw; o compositor norte-americano Stephen Sondheim assiste a este espectáculo e pensa adaptar a peça ao teatro musical.

1979 - Sweeney Todd, o Terrível Barbeiro de Fleet Street, um thriller musical de Stephen Sondheim, estreia a 1 de Março no Uris Theatre em Nova Iorque; é distinguido com os prémios do ano (Tony Awards) e o New York Drama Critics Circle Award para o melhor musical.

1980 - o musical estreia no Theatre Royal Drury Lane, em Londres, com encenação de Harold Prince; conquista também diversos prémios.

1984 - o musical passa a ser apresentado por companhias de ópera: a Houston Grand Opera e a New York City Opera.

1989 - dez anos depois da sua estreia na Broadway, o musical é reposto em Nova Iorque, com uma nova encenação de Susan H. Schulman.

1997 - o musical estreia em versão portuguesa, a 17 de Outubro, no Teatro D.Maria II em Lisboa, com encenação de João Lourenço, direcção musical de João Paulo Santos, Jorge Vaz de Carvalho como Sweeney Todd e Helena Afonso como Sra. Lovett.

1998 - John Schlesinger realiza um filme para televisão intitulado The Tale of Sweeney Todd, com Ben Kingsley.

2000 - em comemoração dos 70 anos de Sondheim, é gravada a versão de concerto do musical, pela New York Philarmonic Orchestra.

2004 - com os próprios actores a cantar e tocar a partitura em cena, o musical estreia no Watermill Theatre em Newsbury, com encenação de John Doyle.

2006 - Joshua St Johnson escreve uma versão de Sweeney Todd para a televisão (BBC), interpretada por Ray Winstone.

2007 - O realizador Tim Burton apresenta no Festival de Veneza alguns minutos da sua adaptação ao cinema do musical de Stephen Sondheim, com Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Sacha Baron Cohen e Laura Michelle Kelly. A estreia do filme em Portugal deu-se em Janeiro de 2008.

(retirado da edição Relógio D'água)

Sara Toscano

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Bond à vista

O texto seguinte foi publicado no blog Deuxieme a 30 de Junho de 2008, com o título: «Quantum of Solace - O Trailer.».

Aqui está o trailer da nova aventura de James Bond. As primeiras imagens revelam que a energia inovadora de Casino Royale parece estar para ficar (para além da ligação ser inevitável, uma vez que este filme se inicia horas depois do fabuloso final do filme anterior), e pela força dos diálogos de M com Bond adivinha-se um soberbo argumento, recheado de muita acção. É de relembrar que Quantum of Solace foi escrito por Fleming como um conto, que foi apresentado no livro For Your Eyes Only). A espera mantêm-se até Novembro. Até lá, aqui fica o soberbo trailer.


Francisco Toscano Silva

quinta-feira, 19 de junho de 2008

AFI's 10 Top 10

O American Film Institute decidiu apresentar este ano mais umas listas de filmes, organizados e separados em 10 géneros. Para quem estiver interessado em ter uma rápida introdução aos marcos do cinema americano (como é óbvio, a escolha é sempre controversa por ficarem de fora muitas das nossas preferências), tem aqui uma “pequena” lista de 100 filmes só para aguçar o apetite. Se não for satisfatório, os mais curiosos podem sempre consultar o Top 250 do IMDb, em que esta última listagem cita não só as grandes obras do cinema americano mas também os clássicos (são muitos) do cinema mundial (francês, italiano, alemão, russo, japonês…).

O site /Film reuniu o seguinte conjunto de factos desta lista apresentada pelo AFI: Alfred Hitchcock tem 4 filmes na lista; Steven Spielberg e Stanley Kubrick têm 3 cada um; James Stewart é o actor que aparece mais vezes (6), Tom Hanks 4 e actores como Robert DeNiro, Gene Hackman, Paul Newman e Jack Nicholson aparecem em 3 filmes. Diane Keaton é a actriz mais representada (4); Grace Kelly e Talia Shire são citadas por 3 vezes.


Pedro Xavier

terça-feira, 27 de maio de 2008

Cinema em retroespectiva


Foi depois de descobrir o site da revista Cinema Retro que o blogue Arte Revisitada decidiu, como já vem acontecendo para o Poster da Semana, publicar semanalmente uma review de um grande clássico da história do cinema. Seja quer pela qualidade técnica, quer pela influência que marcou num determinado momento, iremos percorrer todas as décadas do século XX, não numa Grande Cruzada em busca do Santo Graal, mas a revisitar os seus grandes momentos.

domingo, 18 de maio de 2008

Os filmes bons

Ainda relativamente a trailers, por outro lado chegam-nos as primeiras imagens do mais recente filme de Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, que teve ontem a estreia mundial no Festival de Cannes. Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) são duas jovens americanas de férias na capital da Catalunha, com diferentes atitudes relativamente ao amor, que se vêm envolvidas num turbilhão de aventuras sexuais com o artista plástico Juan Antonio, interpretado por Javier Bardem, ainda sentimentalmente ligado à sua ex-mulher Maria Elena (Penélope Cruz).

Vicky Cristina Barcelona parece ser, pelas primeiras imagens, uma fusão do ambiente “cultural” de Woody Allen que vimos durante tanto tempo em Nova Iorque e, mais recentemente, em Londres, com a caracterização típica da vida citadina espanhola apresentada por Pedro Almodóvar. Apesar de Cassandra’s Dream não ter sido muito bem recebido, só por esta conjunção de factores, é de dar o benefício da dúvida. Para além do mais, é Woody Allen.




Pedro Xavier

sábado, 17 de maio de 2008

Os filmes maus

Se tivermos de elaborar uma escala de classificação simplista, teremos de minimizar as opiniões simplesmente num bom ou num mau. Dentro dos maus podemos, pois, dividir em duas subsecções, a do mau propriamente dito e a do tão mau tão mau que se torna insuportável. Esta é uma forma de abordagem crítica extremamente redutora mas, por vezes, não há volta a dar. Relativamente aos filmes, seguindo a lógica atrás referida, há aqueles que são maus, sem qualquer tipo de pretensiosismo; os outros, são aqueles que pretendem a todo o custo ser algo mais do que razoável mas, afinal, falta-lhes tudo para o serem.

A que vem isto a propósito? Foi quando visionava as mais recentes novidades nos trailers de blockbusters, que me deparei com este que abaixo se apresenta. A vantagem (chamemos-lhe “vantagem” por falta de melhor) dos filmes tipo Scary Movie, é a sua falta de pretensão em ser grande. Combinam, num conjunto sketches (não se pode chamar cinema àquilo), paródias aos filmes de sucesso, sejam de terror, românticos, acção ou comédia. Por este trailer pode-se ver, sem tirar nem pôr: Jet Li, a fazer de Jackie Chan, em cenas semelhantes a Herói (Zhang Yimou, 2002); Michelle Yeoh em cenas semelhantes a O Tigre e o Dragão (Ang Lee, 2000); um abominável homem das neves e um monstro tricéfalo vindo directamente da Grécia antiga. Isto tudo, bem misturadinho, num filme cuja personagem principal é uma espécie de Indiana Jones, com paisagens da China imperial no pano de fundo.

O facto mais triste disto tudo, é que não é uma paródia. A questão impõe-se, em qual das categorias acima referidas devemos inserir este filme? (a solução não deve ser muito difícil).



Pedro Xavier

terça-feira, 29 de abril de 2008

Novos olhares sobre as Trevas

O texto seguinte foi publicado no blog Deuxieme a 29 de Abril de 2008, com o título: «A Força dos Cartazes».



Eis que nos chegam mais posters do tão aguardado The Dark Knight. Após a morte trágica de Heath Ledger, a Warner Bros fez uma enorme revisão sobre a publicidade e marketing do filme, uma vez que este se centrava na sua maioria na personagem de Joker, que o actor interpreta. Como tal, o site oficial manifestou um "silêncio", concedido em homenagem à morte prematura de Ledger, que ainda hoje se mantém nesse sentido. No entanto, aqui se encontram novas imagens, divulgadas por outros sites igualmente oficiais como este, que mostram pouco mas que prometem muito (o que é algo soberbo e tão raro nestes dias), e que futuramente vão encher os mais variados espaços de cinema físicos e virtuais. Seja como for, Joker mantém-se como um dos principais - senão o principal - motivo(s) de curiosidade desta nova aventura de Batman, cuja história já se fazia adivinhar no final do brilhante Batman - O Início, também realizado por Christopher Nolan.


Seja sob a forma de recuperar os rostos das personagens como chave vital do filme ou, ainda, numa lógica de revitalizar um toque mais negro e satírico já concebido anteriormente (o cartaz acima com as três faces - Joker, Batman e Harvey Dent - remete-nos irremediavelmente para...

...um dos cartazes desse fabuloso freak show chamado Batman Regressa, que Tim Burton realizou em 1992), certo é que, à medida que o tempo passa (e já falta pouco para a estreia: 18 de Julho nos EUA, 24 de Julho em Portugal) tudo ganha mais sabor, mas menos forma concreta; eis a riqueza destas novas imagens: o factor surpresa ganha pontos, e a curiosidade está mesmo prestes a matar o gato.

Francisco Toscano Silva