Mostrar mensagens com a etiqueta Movies of the 70s. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Movies of the 70s. Mostrar todas as mensagens

domingo, 6 de julho de 2008

Poster - Tubarão (1975)

O mundo do cinema nunca mais foi o mesmo desde 1975. Tudo isto porque a Universal apostou forte num talentoso, mas pouco conhecido rapaz, de nome Steven Spielberg, que pegou no best-seller de Peter Benchley e realizou um dos mais apreciados /reconhecidos / valorizados / melhores filmes de sempre.

Tubarão (Jaws no seu original) tornou-se um clássico instântaneo, que combina de forma audaz e eficaz um soberbo argumento com uma acção sufocante que se espalha para os espectadores de uma forma aterrorizante: pelo factor "terror" existe um curioso binómio; tanto falamos da enorme criatura assassina que surge aos nossos olhos somente no final, como também vivemos uma hora e meia sem a ver, o que deixa na imaginação de todos a ideia de uma figura terrível, pelos danos que vai causando - ou seja Spielberg mexeu com dois dados importantes (não divulgação / divulgação do assunto) e poderia ter utilizado somente um, mas enquadrou ambos em devida altura e ritmo, ou seja construiu um sentimento de medo e pavor de ambas as maneiras - isso é uma, entre várias, marcas da sua mestria, que como se pode verificar já existe há mais de 30 anos.

Em suma, para a história fica a fabulosa arquitectura das imagens, um elenco inesquecível (Roy Scheider, Richard Dreyfuss e Robert Shaw), um suspense inigualável e duas notas musicais a cargo de John Williams, que transformaram o sono inconsciente de muitos num verdadeiro pesadelo.

Francisco Toscano Silva

sábado, 14 de junho de 2008

Profumo di Donna - Perfume de Mulher (1974)

Depois do Adeus ao realizador e argumentista italiano Dino Risi, vem a jeito da review semanal lembrar uma das suas obras mais conhecidas, Profumo di Donna (1974). Pode-se rapidamente classificar o cinema do cineasta milanês como pertencendo ao género cómico: um artifício necessário para disfarçar uma abordagem crítica às disparidades sociais da vida quotidiana na Itália, através de um olhar cínico e cru.


Depois do lançamento em DVD ter sido tardio (como já é costume por parte das distribuidoras), Perfume de Mulher é, em muitos aspectos, mais negro, mais austero, mais severo e mais envolvente que o remake de 1992 – esta última versão galardoou Al Pacino com Oscar de Melhor Actor Principal. Na visão de ’74 do romance de Giovanni Arpino, Vittorio Gassman (premiado em Cannes) é o protagonista: um reformado militar cego, maneta, alcoólico, melancólico e sorumbático, um porco sexista que leva consigo um jovem soldado para o último fim-de-semana de deboche antes de executar um planeado suicídio colectivo com a ajuda da sua companheira – uma também reformada e incapacitada arma do exército.


Apesar do filme de ’92 ser visivelmente inspirado no seu predecessor, diferem bastante em pequenos detalhes. Enquanto o filme de Hollywood mostra um carismático protagonista de bom coração escondido por debaixo de uma camada exterior bruta, Gassman interpreta a personagem sem qualquer pingo de compaixão, um miserável bêbedo rejeitado pela sociedade. Em vez de dançar o tango e proclamar monólogos moralistas e intolerantes perante as opiniões de outras pessoas, Gassman limita-se a estar na companhia de afectuosas companhias, raparigas jovens e atraentes, comprometendo-se em fúrias consequentes de muito álcool e a abusar emocionalmente de quem quer que se aproxime dele. Não quer dizer que o “capitão” Al Pacino não o faça também, embora prevaleça de sobremaneira incontornável o atraente e bruto espírito mediterrânico.

Esta personalidade, sob a sua aparente força, abuso verbal, intransigência, irreverência e desdém pelas convenções de compaixão das quais é refém, esconde um profundo desespero e vulnerabilidade. Este é o interesse fundamental do filme que Dino Risi filma magistralmente: a verdade dos efeitos pós-guerra, o menosprezo e a falta de apoio para com os soldados da pátria.

Agostina Belli interpreta Sara, uma jovem rapariga apaixonada, é a única que conhece todas as facetas do capitão e não se conforma com a sua enfermidade. Residem maioritariamente nos close-ups a Agostina Belli as imagens mais belas do filme. Se o filme permanece, em certa medida actual, é a fotografia de Claudio Cirillo que lhe dá um certo ar de vintage look e algo de temporalmente característico dos filmes dos anos 70.





Pedro Xavier

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Annie Hall (1979)

A jeito de continuação do post anterior, estava na cara que o próximo filme a ser revisitado para a review da semana seria Annie Hall.

É usual pensar em Annie Hall e em Manhattan como dois filmes em tudo quase semelhantes. Ambos têm como pano de fundo a cidade de Nova Iorque e são ambos sustentados pelos alicerces de pequenas intrigas amorosas que giram à volta de neuróticas e agridoces peripécias românticas, incidindo na aparente impossibilidade de encontrar o amor derradeiro. Ambos estrearam na década de 70 do século passado, respectivamente 1977 e 1979. Muito discutivelmente, este é considerado o período em que Woody Allen teve o seu maior pico de criatividade e originalidade.


Contudo, enquanto Manhattan é nas suas vísceras um filme sensual e contemplativo, é muito mais romântico do que cómico. Por outro lado, Annie Hall é assumidamente hilariante, com um gosto adocicado dado pelo romance entre Alvy Singer (Woody Allen) e Annie Hall (Diane Keaton). Estruturalmente, Annie Hall – o filme - lembra-nos um de Federico Fellini (Amarcord, 8 1/2) na sua qualidade mais autobiográfica, em tons característicos de comédia camuflada. A narrativa tão simetricamente pouco linear de Annie Hall discorre de acordo com os caprichos do narrador. Alvy Singer não é mais do que uma personalidade homónima de Allen que, à medida que a narrativa se desenvolve em forma de auto-crítica, se dá a conhecer – os 15 anos que Alvy passou em terapia revelam que é, entre outras coisas, paranóico, neurótico, possessivo e xenófobo em relação a qualquer coisa que não é Nova Iorquina – e nos conduz simpaticamente à fábula do seu romance.

A obsessão de Alvy na gradual deterioração da sua tão queria Nova Iorque e a crescente aversão à cultura (ou falta dela) da Califórnia, fornecem a base psicológica em que assenta este moderno conto de amor. Annie, como objecto de desejo de Alvy Singer, é uma figura tão incerta e desorganizada tal como como uma mistura de amor genuíno com loucura (ninguém diz la di da) que, no meio deste ambiente neurótico, não admira que necessite de fumar erva antes de ter sexo com alguém.


À medida que Allen nos dá a conhecer os romances falhados de Alvy, permite que haja uma intromissão de Singer no filme para comentar, sarcasticamente, as fraquezas daqueles que o rodeiam. Irrita-se particularmente com o falso intelectualismo que o rodeia. No entanto, assim como é duro consigo e com os outros, o seu criticismo não é nada condescendente.

É admirável que Allen consiga misturar todos estes honestos ingredientes num único filme e, ainda assim, torná-lo divertido. Não é de admirar que Annie Hall tenha vencido a tão cobiçada estatueta dourada (Woody não apareceu para a receber), no ano em que Star Wars revolucionou todo o conceito de entretenimento cinematográfico.





Pedro Xavier

terça-feira, 3 de junho de 2008

La di da

O site de cinema rottentomatoes, conhecido por ter uma base de dados gigantesca de críticas a filmes, organizou um top para as "20 Most Iconic New York Women". De entre todas as nomeadas destaca-se a vencedora, Annie Hall, a personagem criada por Woody Allen para o filme homónimo de 1977, interpretada por Diane Keaton.

No ano de 78, Annie Hall levava para casa os principais prémios da Academia - Melhor Filme, Melhor Realizador (Woody Allen), Melhor Actriz Principal (Diane Keaton), Melhor Argumento Original (Woody Allen e Marshall Brickman) e ainda a nomeação de Melhor Actor (Woody Allen).

Em baixo encontra-se a descrição (do site rottentomatoes) para vencedora e ainda um vídeo que reúne os melhores momentos de Annie.

"Like Holly Golightly, she floats, sometimes unmoored. Like Katie Morosky she's strong willed. Annie Hall is the unattainable fantasy. Part of what her boyfriend, Alvy Singer (Woody Allen), loves about her is that she's never totally given to him, and we don't really gain complete access to her either. She trumps the intellectually vainglorious Alvy(and he can be a pill) but outside of that skill set she's just a girl trying to figure herself out in a city big enough to swallow you if you're not careful. She's hard to pin down, harder to figure out, and like our other enigmatic New Yorkers, easy to see yourself in."



Pedro Xavier

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Poster - Dirty Harry (1971)

Dirty Harry - A Fúria da Razão é, até aos dias de hoje, um dos mais influentes filmes policiais alguma vez feitos, abordando nos ambientes pouco atractivos de San Francisco a profundidade psicológica que caracteriza a relação do inspector Harry Calahan (Clint Eastwood) – arquétipo idealista do justiceiro solitário e desrespeitador da lei (ele é a lei) - com o psicopata Scorpio (Andy Robinson), um deambulante hippie que aterroriza as ruas da cidade, o reflexo de uma sociedade em decadência.

A imagem estilizada dos anos 70 e a marca de série B com que o filme de Don Siegel é classificado, foram ingredientes fundamentais na criação e modelização de uma maneira de produção, realização e promoção um ícone ordeiro que combatesse a revolta urbana contra a guerra no Vietname.

Uma das cenas mais emblemáticas do filme é a da já tão conhecida frase "Do You Feel Lucky?". Assim como vemos esta frase numa cena nos instantes iniciais [vídeo em baixo], voltamos a revê-la no final, mas de forma incontornável e azeda, claramente representativa do descontentamento e revolta do inspector. É, com certeza, um filme a ver e a rever.



Pedro Xavier