quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Morte das Bond Girls


Surpreendentemente, os produtores do novo filme de James Bond, Quantum of Solace, distribuíram na imprensa uma série de fotografias reveladoras do final de uma das personagens principais do filme, mais concretamente da nova Bond girl, interpretada por Gemma Arterton. A morte de uma Bond girl não é novidade nenhuma. Basta recordar Casino Royale, The World is Not Enough ou Tomorrow Never Dies, como os casos mais recentes, ou então relembrar outro Bond, Sean Connery em Goldfinger (1964). É neste último que a cena da morte de Jill Masterson ficou para sempre gravada na nossa memória. Deitada numa cama, nua, pintada a ouro, morta por asfixia da pele.

Pedro Xavier

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Story, by Robert Mckee


Robert Mckee é um professor de escrita criativa, popular pelo seu "Story Seminar" (que vem agora a Portugal, em Novembro deste ano), desenvolvido aquando da sua experiência como professor na University of Southern California. Mckee é o autor da bíblia dos guionistas, Story: Substance, Structure, Style and the Principles of Screenwriting. Nesta obra, o trabalho de guião é analisado ao pormenor, com maior relevância para a estrutura narrativa como um todo, com diversas partículas e possibilidades que se podem escolher e seguir.

Basicamente, Mckee dá-nos toda a técnica para contar histórias (e não é isso mesmo que faz um guionista?); desde fontes de inspiração, registos escritos, géneros cinematográficos, estrutura do texto, formatação, personagens, substâncias de uma história, a divisão em Actos (Syd Field), o design das cenas, a sua composição, o inciting incident, a crise, o clímax, a resolução, os princípios antagónicos, a exposição, os problemas, contratempos e gaps, o método, os diálogos, a poética aristotélica, entre muitas outras, todas de extrema importância.

Para Mckee, uma história é sobre princípios, não regras (sabemos como é que as coisas funcionam, mas as regras existem para ser quebradas); é sobre formas universais (que façam sentido, de alguma forma, em qualquer parte do Mundo); é sobre arquétipos e não estereótipos (os estereótipos são redutores, os arquétipos universalmente reconhecidos); é sobre persistência, não atalhos (é necessário dispender de uma quantidade enorme de tempo e esforço numa história); é sobre as realidades da escrita, não os seus mistérios (desde Aristóteles e a Poética); é sobre Arte, não mercado; é sobre respeito, não desdém pelo espectador (ter sempre presente que o espectador já viu tudo); é sobre originalidade, não duplicação (atenção às escolhas que são feitas).

Story é um livro fundamental, especialmente para quem quer seguir esta área.


Sara Toscano

Doomsday

Este filme de Neil Marshall (realizador e guionista do mesmo) assenta no pressuposto “a humanidade tem a sua data de validade”. Para um filme que não é mais que tudo aquilo que já toda a gente viu, Doomsday não cansa, nem é uma perda de tempo: pelo contrário, dentro de toda aquela “impossibilidade” em termos de argumento ou género, consegue prender-nos à cadeira, levando-nos a revisitar universos que tão bem conhecemos de toda a nossa cultura visual, sem que nunca os tenhamos imaginado juntos, num mesmo espaço e tempo fílmicos. A ideia do vírus letal que infecta milhões de pessoas e mata centenas, já está muito vista; no entanto, “in the land of the infected, the immune man is king” é um conceito poderoso. E Rhona Mitra é perfeita para o papel.

Doomsday é muito bom ao levar as personagens (especialmente Eden Sinclair e Sol) ao seu limite, explorando muito bem as forças antagónicas que os impedem, incessantemente, de atingir os seus objectivos.
O arco da história (negativo – positivo – negativo) está muitíssimo bem conseguido, demonstrando uma grande evolução na personagem principal (Eden) que, enquanto no início do filme é levada para fora da zona de quarentena (e para longe da sua mãe), no final opta por permanecer lá, como numa tentativa de alterar o rumo que a história dela levou.

Pontuado com um humor deliciosamente negro, a apresentação da personagem de Eden, muito visual, funciona na perfeição, fornecendo todos os dados necessários à compreensão das motivações e consequentes atitudes que vai tendo, e das opções que toma, facilitando não necessariamente uma simpatia instantânea pela personagem, mas, definitivamente, uma grande empatia. A energia do argumento é inesgotável (ou assim parece), as referências a filmes como Os Salteadores da Arca Perdida tornam-no numa pequena delícia para os mais aficcionados do cinema; em termos técnicos não tem grandes falhas e o ritmo da montagem está em conformidade com a acção. A capacidade de surpreender o espectador é inesgotável, sendo considerado por muitos um “roçar no ridículo”. Talvez seja disso mesmo que o filme vive, de outra forma não se poria a questão “se não fosse daquela maneira, será que funcionava?”

De notar, no entanto, o fraco trabalho de personagens secundárias, que não chegavam a trazer nada de novo ao mundo ali idealizado (não digo todas, mas, por exemplo, afinal quem eram todos aqueles que acompanharam Eden à zona de quarentena? Por que foram lá? Porquê eles e não outros?); talvez também o clímax e a resolução deixem um pouco a desejar, no sentido em que toda a história é construída com vista àquela acção final que, podendo deixar as coisas em aberto, não deixa nunca dúvidas em como as coisas não poderiam terminar doutra maneira.

De um modo geral, e para quem falhou a estreia aquando do festival de terror (Motelx), Doomsday é uma obra que deve ser vista e apreciada, livre de preconceitos.






Sara Toscano

domingo, 28 de setembro de 2008

A Review on Death Magnetic


Cinco anos depois de lançarem St. Anger (2003), os Metallica lançam agora o novo álbum Death Magnetic. Tendo passado por um período conturbado, a banda de heavy metal aparenta agora uma consolidação que permitiu a produção de mais uma obra musical única e indispensável. Death Magnetic é arrojado em todos os sentidos; e é a prova de que a idade lhes assenta tão bem!

Naquilo a que se pode chamar um 'reencontro com a sua essência', a estrutura das músicas que compôem o novo álbum remete aos louváveis primórdios da banda, que se alteraram ligeiramente (o que não implica que seja para menos bom, apenas para diferente) com o Black Album (1991), com um ritmo menos acelerado.

St. Anger representou um descarregar de energia (negativa, pelo que dizem), classificado por muitos críticos como uma produção bizarra de "group-therapy session" (donde, no entanto, se retiram singles absolutamente extasiantes, como Frantic, St. Anger ou Some Kind of Monster, entre outros).

Com duas novidades (o baixista Robert Trujillo e o produtor Rick Rubin), Death Magnetic tem muito de ...And Justice for All, Master of Puppets e Ride the Lightning. E para reparar nisso, basta ouvir os primeiros segundos da primeira música do CD.

Segundo a própria banda, o título do álbum é um tributo a todos os companheiros do universo musical que perderam as suas vidas, pelo caminho, deixando muito ainda por fazer (ressoa sempre o nome de Cliff Burton). E, diga-se, enquanto tributo, não poderia ser mais representativo de todo o espírito que envolve o nome sonante da banda e a sua carreira; enquanto álbum, considera-se este trabalho mais um renascer que uma morte (embora a morte seja a temática recorrente dos lyrics e do design do conteúdo do CD).

Os lyrics são invariavelmente poderosos (The Judas Kiss) e o primeiro single, The Day That Never Comes, é comparado à One (...And Justice for All), numa combinação de balada e trash que, no entanto, não deixa a um canto a Broken, Beat and Scarred, onde a inconfundível voz de James Hetfield ganha uma extrema força nas linhas "What don't kill ya make ya more strong".

É um álbum que tem tanto de obrigatório, como de genial.

Sara Toscano


sábado, 27 de setembro de 2008

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Poster - Quantum of Solace


Não se pode dizer que não há expectativa quanto a Quantum of Solace, o mais recente filme das aventuras de James Bond. Um Bond vingativo, de orgulho ferido e em busca de algo mais do que a sua missão? A premissa é boa, digna dos romances de Ian Fleming. Quantum of Solace tem já uma vantagem à partida: mantém a mesma equipa de Casino Royale (2006) e, se tudo correr bem, terá, novamente, o mais fiel actor à personagem desde George Lazenby. Pois, leram bem! Este senhor, que deu corpo à personagem em On Her Majesty's Secret Service (1969), apesar de canastrão e sensaborão, acabou por fazer deste filme um dos mais fiéis aos romances. Que saudades também de Sean Connery em Thunderball (1965) e Goldfinger (1964), tão bons ou melhores que os livros! Outro tão pouco falado é o From Russia With Love (1963) onde, no romance, o nome James Bond só aparece passado uma centena de páginas. Floreados literários à parte, havia magia nestes filmes: desde o genérico ao poster que a imagem de James Bond ganhou um estilo muito próprio.

Relativamente ao último poster e, supostamente, o poster final do filme, é aparentemente oco no conteúdo ao se mostrar duas pessoas, numa tentativa de ter um ar cool, perdidas no deserto. No entanto, é um poster de Bond atípico em que o olhar das personagens é perturbado e apresentam uma cumplicidade que os une, não pela habitual atracção que Bond provoca nas Bond girls mas por terem um objectivo comum.

Pedro Xavier

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Empire presents...


Uma das mais conceituadas (e vendidas) revistas norte-americanas de cinema elaborou uma votação (a maior de sempre) para eleger os 500 melhores filmes de sempre. A escolha pode não ser consensual, uma vez que é resultado de uma votação. Sim, a maioria dos filmes é de origem norte-americana, não que isso seja mau, mas às vezes falta ali um Kurosawa, Bergman, Fellini, Antonioni, Godard ou Buñuel nos lugares de topo. Mas vale a pena passar os olhos, nem que seja pelas belíssimas fotos que lá estão. É tão bom reviver, pelas fotos, os grandes filmes...

Revista Empire
The 500 Greatest Movies of All Time

Pedro Xavier

O Sonhador

Ian McEwan, o autor inglês de Cães Pretos, Amesterdão, A Criança no Tempo, O Jardim de Cimento, Expiação e A Praia de Chesil, apresentou em 1994 o seu segundo romance para crianças, The Daydreamer ou, em português, O Sonhador. O Sonhador foi o meu primeiro livro de McEwan e despertou-me rapidamente o interesse para as suas restantes obras. Não se pense que por ser para crianças não o devemos ler. A maravilhosa imaginação e ideias contidas nas suas páginas, são inspiradoras para mentes de todas as idades.

A personagem principal é um rapazinho de 10 anos chamado Peter e é nesta personalidade que Ian McEwan projecta a sua. A mente de Peter leva-nos por um mundo vastíssimo e rico em imaginação e aventuras, contendo todas as perguntas e respostas que alguma vez, consciente ou inconscientemente, já nos fizemos. Em sete episódios, o escritor Peter Fortune, já em adulto, revê as secretas aventuras e metamorfoses de infância. Ao viver, algures, entre o sonho e a realidade, Peter sofre transformações fantásticas: troca de corpo com o gato velho lá de casa, tem uma batalha de bonecas furiosas ou então encontra um creme na gaveta de cozinha que quando espalhado faz desaparecer as pessoas.

O Sonhador está maravilhosamente bem escrito, elaborado e imaginado, com o poder de nos cativar a cada página que viramos. As ideias que McEwan teve, aliás, que Peter tem, ficam-nos para sempre na memória.




Pedro Xavier

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Poster - Face/Off (1997)

Parece um poster de Saw mas desenganem-se. É assim que se fazem posters na Europa de leste, mais especificamente na Polónia. Este é o de Face/Off, o filme de John Woo de 1997, que opunha John Travolta a Nicolas Cage, polícia e assassino, numa troca de identidades atípica. O realizador chinês e realizador do incompreendido Mission: Impossible II (2000), já aqui impunha o seu estilo oriundo do cinema oriental, repleto de bailados metafóricos ocultos nas cenas de acção. É sem dúvida um filme de acção a não perder.

Pedro Xavier

Novidades da manhã #1

Revolutionary Road, o mais recente filme de Sam Mendes (American Beauty, Road to Perdition, Jarhead), volta a reunir no grande écrã as estrelas de Titanic (James Cameron, 1997) Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Desta vez mais crescidos e maduros, os actores interpretam um casal inconformado com os tempos em que vivem, em permanente busca de realização pessoal num sufocante mundo de convenções. O romance de Richard Yates (de 1961) foi eleito pelos leitores da Time Magazine como um dos 100 melhores romances de sempre. Fiquemos com o trailer



Pedro Xavier