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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Suficientemente Platónico


Os grandes pensadores, em todas as épocas e por todos os cantos do Mundo, têm uma influência nas mentalidades que é impossível de negar. Grande parte deles são, maioria das vezes, visionários incontestáveis.

Platão, filósofo grego, discípulo de Sócrates, ocupou-se de temas como a metafísica, o conhecimento, a ética e a política, entre outros. Dele guardo, essencialmente, a convicção de que o Homem é corpo e alma; o corpo é a matéria, a alma o imaterial. Isto apenas em linhas muito gerais.

Tenho também presente a conhecida Alegoria da Caverna, que faz parte da obra 'A República'. Para aqueles que desconhecem esta simples parábola, vou resumir: um muro alto que separa o mundo exterior de uma caverna que, embora seja escura, tem uma fresta por onde entra um feixe de luz; no seu interior, seres humanos que ali se encontram desde sempre, acorrentados, de costas para a entrada, forçados a olhar para a parede; nessa parede são projectadas sombras de homens, que vêm do exterior; um dos prisioneiros consegue escapar daquela condição, sai da caverna e descobre que as sombras eram mesmo isso, meras sombras de pessoas como ele ou os companheiros; quando regressa à caverna e tenta convencer os outros a seguirem-lhe o exemplo, é morto.

À partida parece simples e de fácil compreensão, embora os significados maiores, escondidos nas entrelinhas (ou na capacidade intelectual de cada indivíduo) sejam complexamente inatingíveis. Acredita-se que Platão se referia a superstições do Homem, que o filósofo era representado na figura do fugitivo que quer atingir um conhecimento além daquele a que está condicionado. Que Platão mostrava como qualquer um, desejando, seria capaz de se libertar da escuridão através da luz da verdade..

Para mim, a alegoria tem outro significado implícito. Inconscientemente, Platão foi um visionário. A Alegoria da Caverna encerra os princípios básicos do cinema e da projecção.

Ora vejamos: a caverna escura representa a sala de cinema (e aqui não há muito a acrescentar); o feixe de luz é o que leva a imagem à tela que, por sua vez, é representada pela grande parede do fundo da caverna; os acorrentados serão os espectadores, presos às imagens que observam; as sombras são uma ilusão da realidade, tal como o cinema o é.

Há que acrescentar que, muitas vezes, o espectador gosta tanto daquela ilusão de realidade, que lhe custa abandonar a cadeira da sala e ter de voltar a enfrentar a Vida.

Esta interpretação da alegoria ficou na minha cabeça desde as aulas de Teoria da Imagem e da Representação e nunca mais me abandonou.

E não será isto suficientemente platónico?

Sara Toscano